O Brasil está aqui, mas talvez você não saiba. 5 fatos brasileiros sobre a Itália.

Existem gestos simples do dia a dia que muitas vezes ignoramos. Se alguém passa tempo suficiente no Brasil para se virar ao ouvir uma única palavra em português, ou para notar cada detalhe relacionado ao país — o que muitas vezes faz parte da inteligência seletiva, ou seja, a capacidade cognitiva de focar em estímulos, informações ou tarefas específicas, como um filtro que direciona os recursos mentais para o que é importante em um dado momento, seja voluntária ou automaticamente — então essa pessoa começa a perceber e descobrir muitas coisas às quais não havia dado atenção antes.

Aqui estão 5 fatos interessantes sobre o Brasil que nós, italianos, talvez não saibamos:

Bresaola “feita na Valtellina”… mas a carne vem do Brasil
Embora consideremos a bresaola um embutido tipicamente italiano, é sabido que grande parte da carne bovina usada em embutidos, sejam eles exportados ou produzidos sob marcas italianas, é de origem brasileira. Grupos como a JBS, gigante brasileira do setor de carnes, são fornecedores-chave de carnes de alta qualidade para o mercado europeu e, na prática, grande parte da carne que entra nas cadeias de suprimentos europeias (e especialmente italianas) vem do Brasil.

Suas facas domésticas são brasileiras.

Você está em casa e quer cortar um bife ou fatiar um embutido? Provavelmente está prestes a usar uma faca com a etiqueta “Made in Brazil” — mas de origem italiana! Muitos de nós crescemos com facas de cabo de madeira com lâminas serrilhadas ou recartilhadas, mas nunca percebemos. Se você tem essas facas, observe atentamente a lâmina; provavelmente estará escrito “TRAMONTINA” — Made in Brazil. Tramontina

Fundada em 1911 por Valentin Tramontina, natural do Trentino, a empresa é hoje uma das mais importantes do Brasil, com dez fábricas em todo o país e forte presença no mercado internacional, exportando seus 18.000 produtos para mais de 120 países em todo o mundo.

Palazzo Mondadori (Milão): Arquitetura Brasileira na Itália
Talvez nem todos saibam que a sede do Grupo Mondadori, em Segrate (Milão), é uma obra do grande arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer. Inaugurado em 1975, o edifício representa uma ponte concreta entre a estética brasileira e a funcionalidade italiana, um exemplo de como o patrimônio arquitetônico brasileiro também influenciou a Itália. Gostaria de saber mais sobre o design italiano no Brasil? 👉 De uma ilha toscana ao sucesso do Design in Brazil

A embaixada italiana mais bonita é a brasileira.
Qualquer pessoa que seja de Roma ou que tenha vivido lá sabe bem disso. A Embaixada do Brasil é única. Localizada em uma das praças mais bonitas de Roma, da Itália e do mundo — a Piazza Navona — a Embaixada do Brasil “ocupa” o Palazzo Pamphilj, um elegante palácio barroco construído no século XVII pela nobre família Pamphilj, quando o Cardeal Giovanni Battista Pamphilj se tornou o Papa Inocêncio X.

Ao longo dos séculos seguintes, com a extinção do ramo direto da família e as mudanças políticas e sociais, os usos do edifício mudaram diversas vezes: foi alugado e abrigou instituições, academias e diversas atividades. Desde 1920, o Brasil já utilizava o Palazzo Pamphilj como sede diplomática (alugado/atualmente), e assim, em 1960, o governo brasileiro decidiu comprar toda a propriedade, justamente por representar um “cartão de visitas” ideal para sua representação diplomática em Roma.

Dom Francesco Matarazzo, “o homem mais rico do Brasil e da América do Sul”, era italiano.
Francesco Matarazzo (Castellabate, 1854 – São Paulo, 1937) foi um empresário italiano que emigrou para o Brasil no final do século XIX. Chegando a São Paulo em 1881, começou como um pequeno comerciante de produtos importados da Itália.

Graças à sua visão de futuro, espírito industrial e enorme talento para construir redes de produção e logística, ele criou as Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM): um conglomerado com centenas de fábricas e milhares de funcionários atuantes em setores como alimentos, têxteis, metalurgia, química, logística, energia e portos.

Matarazzo deu uma contribuição decisiva para o desenvolvimento industrial do Brasil, transformando São Paulo na grande metrópole econômica sul-americana que conhecemos hoje. Seu império passou a representar uma parcela significativa da produção nacional, a ponto de ser considerado um símbolo da industrialização brasileira.

Após sua morte em 1937, ele foi reconhecido como o homem mais rico do Brasil e uma das figuras empresariais mais importantes da história do país. Seu nome permanece um ícone do legado ítalo-brasileiro, um exemplo de como a coragem e a engenhosidade dos imigrantes italianos ajudaram a construir o futuro do Brasil.

Comemoramos 20 anos do cinema italiano no Brasil com Erica Bernardini e Fabiano Gullane Gullane! Assista ao episódio.

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