O Brasil não é mais (apenas) um grande mercado consumidor: nos últimos anos, estruturou-se como um dos principais ecossistemas de inovação da América Latina. Abaixo, você encontra alguns números e insights práticos sobre as oportunidades reais para scaleups e PMEs italianas que deveria conhecer.
Ecossistema de Startups & Inovação: Brasil vs Itália
No Brasil, o Observatório Sebrae Startups registrava 18.056 startups em atividade (2025). Na Itália, o retrato mais sólido e comparável é o das startups inovadoras inscritas na seção especial do Registro: no primeiro trimestre de 2025 eram 15.749.
No quesito unicórnios, o Brasil segue claramente à frente: segundo o monitoramento da Distrito, o país conta atualmente com 22 unicórnios. Já a Itália, em 2025, costuma ser creditada com 9 unicórnios (com a Namirial sendo citada como a entrada mais recente naquele ano).
No tema incubadoras/aceleradoras, no Brasil, um mapeamento nacional (Agência Brasil) indicava 363 incubadoras e 57 aceleradoras, enquanto na Itália o relatório SIM Politecnico di Torino identificou 239 entre incubadoras e aceleradoras.
O Brasil, por ser um país muito maior e com uma população quase 4 vezes superior à da Itália, possui um ecossistema maior do que o italiano, mas não extraordinariamente gigantesco como o dos Estados Unidos ou de outros mercados mais consolidados.
Geograficamente, no Brasil, assim como na Itália, o mapa é claro: São Paulo é o principal polo, seguida por hubs muito fortes como Florianópolis, Rio de Janeiro, Brasília e Recife. Na Itália, Milão continua sendo a principal província em número de startups inovadoras (mais de 2.400), seguida por Roma (mais de 1.200), e depois por grandes áreas urbanas como Nápoles e Turim, que formam a “segunda faixa”.
Que tipo de capital movimenta o ecossistema brasileiro?
Em 2024, o venture capital no Brasil fechou o ano com R$ 9 bilhões investidos (ABVCAP), enquanto na Itália, no mesmo período, os investimentos em startups e empresas inovadoras chegaram a cerca de € 1,5 bilhão em 417 rodadas, segundo o observatório e as comunicações da Italian Tech Alliance. Portanto, considerando a conversão cambial, o volume é praticamente idêntico entre os dois países.
Mas além do “quanto”, é interessante entender “quem” investe. No Brasil, o mercado historicamente está mais acostumado a misturar VC, corporate venture e fintechs/bancos digitais de forma muito agressiva (fintechs e pagamentos impulsionaram toda uma geração de scaleups). Na Itália, além dos fundos de VC, pesa bastante o papel de investidores institucionais e iniciativas públicas/parapúblicas, e nos últimos anos o Corporate Venture Capital vem crescendo como categoria dedicada.
Setores para acompanhar
No Brasil, o Observatório Sebrae retrata um ecossistema com forte presença de startups B2B, TI/Software, Saúde e bem-estar e Educação; paralelamente, nos ciclos de crescimento latino-americanos, continuam centrais os setores de fintech, logística e soluções para o agronegócio. Na Itália, os relatórios de mercado mostram captação significativa em life sciences/biotech, deep tech, software e segmentos como fintech e smart city, com um pipeline que melhora nos rounds early-stage, mas ainda sofre nos late-stage em comparação com os grandes mercados europeus.
A parte mais interessante, para quem empreende, é a complementaridade desses dois mercados: o Brasil possui enorme demanda por produtividade e tecnologia em indústria, energia, infraestrutura, agronegócio e manufatura; a Itália se destaca em tecnologia industrial, automação, mecatrônica, packaging, food-tech de cadeia produtiva e economia circular.
Traduzindo: muitas soluções italianas não competem “por preço”, mas sim por eficiência, qualidade e confiabilidade — exatamente os pontos nos quais muitas empresas brasileiras estão investindo.
Custos e “fricções” para abrir uma startup: por que o Brasil pode ser um mercado interessante para PMEs e scaleups italianas
Abrir uma empresa no Brasil exige 11 procedimentos e 17 dias, contra 7 procedimentos e 11 dias na Itália. A burocracia aqui certamente é um obstáculo. Porém, do lado dos custos, a métrica “custo/renda per capita” resulta mais baixa no Brasil (4,2%) em comparação com a Itália (13,8%).
A complexidade do Brasil, portanto, concentra-se principalmente em tributação, compliance e gestão operacional. Mas, para muitas PMEs/scaleups italianas, continua sendo extremamente atraente porque é um mercado-continente, com uma única língua, uma população enorme, cultura digital avançada, forte presença de capital e um contexto no qual é possível testar, validar e escalar um produto fora da Europa, muitas vezes com uma relação custo-benefício competitiva.
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