A unificação da Itália aconteceu no Brasil
Em 17 de março de 2026, se comemorou o 165º aniversário da Unificação da Itália. A proclamação do Reino da Itália ocorreu, de fato, em 17 de março de 1861, a partir do Parlamento de Turim. Esta data, conhecida como Dia da Unidade Nacional, celebra o nascimento do Estado italiano. Mas o que nasce ali não é um país no sentido moderno. É, na verdade, o início de um processo.
1861: quando a Itália nasceu
Até aquele momento, a península italiana era um mosaico fragmentado. Havia o Reino do Piemonte-Sardenha, motor político e militar da unificação; o Reino das Duas Sicílias no sul; o Estado Pontifício no centro, sob o poder do Papa; e regiões sob influência ou controle direto do Império Austríaco, como a Lombardia e o Vêneto. Cidades como Turim, Milão, Florença, Nápoles e Roma não pertenciam ao mesmo país. Eram centros de poder distintos, com sistemas administrativos, moedas e interesses diferentes.
A unificação foi o resultado de um equilíbrio delicado entre diplomacia, guerra e visão política. Camillo Benso di Cavour atuou como arquiteto político, costurando alianças internacionais; Giuseppe Garibaldi liderou a campanha militar popular que conquistou o sul; e Vittorio Emanuele II tornou-se o primeiro rei da Itália unificada. A Itália de 1861, porém, ainda estava incompleta: o Vêneto só seria anexado em 1866 e Roma apenas em 1870.
Mas enquanto a Itália nascia, o Brasil já existia como Estado independente havia quase quarenta anos. Em 1861, o Brasil era um Império governado por Dom Pedro II. Era um país territorialmente vasto, economicamente baseado na agricultura, especialmente no café, e ainda sustentado pelo trabalho escravizado, que só seria abolido em 1888. A população era relativamente pequena para o tamanho do território, com forte presença de africanos escravizados, descendentes de indígenas e uma elite de origem europeia.
Antes de 1861, não existia uma relação entre “Itália” e Brasil no sentido formal, porque a Itália não existia como Estado. Mas existiam relações com os Estados pré-unitários. O Reino das Duas Sicílias, por exemplo, mantinha contatos comerciais e diplomáticos com o Brasil, e houve fluxos pontuais de italianos – ainda identificados por suas regiões de origem, não como “italianos”.
A unificação muda tudo. A partir de 1861, surge um novo ator internacional: o Reino da Itália. E, sobretudo, surge uma nova identidade. É essa identidade que vai atravessar o Atlântico nas décadas seguintes.
Os italianos fizeram o Brasil, mas o Brasil fez os italianos.
A partir do final do século XIX, o Brasil passa a receber uma das maiores ondas migratórias da história italiana. Entre 1870 e 1920, milhões de italianos deixam um país recém-unificado, ainda pobre e com grandes desigualdades regionais, para buscar oportunidades fora. O Brasil, que precisava substituir a mão de obra escravizada após a abolição, torna-se um dos principais destinos. É nesse momento que nasce, de fato, a conexão profunda entre Itália e Brasil que conhecemos hoje.
Dois anos atrás, o Brasil celebrou os 150 anos da imigração italiana. A referência é 1874, quando o primeiro navio a dar início à imigração italiana em massa para o Brasil foi o navio a vapor “La Sofia”, que partiu de Gênova em 3 de janeiro de 1874 e atracou em Vitória (Espírito Santo) em 21 de fevereiro do mesmo ano. A bordo estavam 386 passageiros, principalmente de Vêneto e Trentino, com destino às terras de Pietro Tabacchi. Essa data marca o início absoluto da presença italiana e simboliza o começo de um movimento estruturado, contínuo e massivo, que transformaria profundamente a demografia, a economia e a cultura brasileira.
E talvez aqui esteja a reflexão mais interessante: enquanto a Itália se unificava tentando construir uma identidade nacional, milhões de italianos estavam saindo. E foi fora da Itália, em países como o Brasil, que essa identidade também se consolidou.
Ainda hoje, o 17 de março é reconhecido oficialmente, mas não carrega o mesmo peso simbólico de outras datas nacionais em outros países. Talvez porque a Itália, mais do que “nascer” em um único dia, tenha sido construída lentamente, dentro e fora de suas fronteiras. E, de certa forma, também no Brasil.
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